sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ciática


Hérnias de disco e Síndrome do Piriforme (músculo do quadril), são causas mais comuns das dores irradiadas para os membros inferiores.
O nervo ciático é uma estrutura que sai do plexo lombar (região lombar e sacro) entre L4-S3, passa pela coxa e perna na região posterior, terminando em nível dos pés. O nervo ciático responde pela inervação dos músculos da coxa (bíceps da coxa, semitendinoso, semimembranoso).
A dor, assim, se localiza nos membros inferiores: na região glútea, na parte posterior da coxa e na perna e, dependendo do dermátomo afetado, ocorre dor posterior ou lateral da perna e, dor lateral ou na planta dos pés.
A dor “ciática” é um sintoma normalmente decorrente da pressão causada por uma hérnia discal (prolapso, extrusão, seqüestro), na saída na região lombar. Porém, saliento que esta compressão do nervo ciático pode ocorrer em qualquer ponto de seu trajeto, sendo mais comum à compressão da raiz nervosa, no canal vertebral ou no forame intervertebral, como disse, na região lombar (normalmente entre L4-L5-S1). Formas menos comuns de compressão do nervo ciático acontecem, incluindo: formação de hematomas, abcessos e tumores. A dor, em geral, é caracterizada por forte queimação, seguida de diminuição de movimentos e dor localizada. Pode apresentar um espasmo muscular compensatório, em virtude de movimento mal executado e, que leva o atleta/desportista em alguns casos a perder o movimento temporariamente, sendo logicamente restabelecido posteriormente com o tratamento indicado. Em outros casos, a dor é leve/moderada, com início insidioso, que inicialmente não prejudica as atividades da vida diária. Entretanto, se não houver tratamento adequado, o problema poderá se exacerbar. Outra causa comum da dor “ciática” são as atividades laborativas. A pessoa que passa muito tempo no trabalho, sentada, em posição desfavorável e, está acima do peso, normalmente, tende a contrair a referida lesão, no que chamamos de lesão por “esforço repetitivo”, associada hoje às DOENÇAS OSTEOMUSCULARES ASSOCIADAS AO TRABALHO (DORT).
Uma outra forma de compressão do nervo ciático bem documentada trata-se da SÍNDROME DO PIRIFORME. Em 15% da população, o nervo ciático passa por meio do músculo piriforme, quando este músculo se encurta, pode haver compressão do nervo ciático, exatamente neste ponto, causando os sintomas típicos, já descritos anteriormente. E, sendo assim, o que determinará a causa é o exame de imagem, que mostrará se a dor inicia-se por irritação nervosa por uma hérnia discal na região lombar ou se compressão por pressão do músculo piriforme; em geral a sintomatologia é igual. O que pode distinguir um sintoma e o outro é o fato de que na Síndrome do piriforme, o atleta/desportista, pode sentir uma dor profunda nas nádegas, que se apresenta sem dor na região lombar e, possivelmente dor irradiada em queimação na parte posterior da coxa e na região lateral da panturrilha e do pé. O ciclo da marcha nas duas situações encontra-se alterada, observa-se ausência de choque do calcanhar, apresentando encurtamento do passo e deambulação com o joelho fletido para aliviar tensão no nervo ciático.
Os testes clínicos que viabilizarão o diagnóstico são: elevação da perna reta e teste de Laségue. Estes estarão mostrando se há irritação do nervo ciático: dor, sensação de formigamento, parestesias e queimação, são sintomas típicos para teste positivo. Em seguida serão necessários, exames diagnósticos de imagens complementares que podem ser: Ressonância nuclear magnética e Ultra-som diagnóstico, no caso de compressão do nervo ciático pelo músculo piriforme.
TRATAMENTO
• Inicialmente o atleta / desportista deverá ficar em tratamento por 2 a 3 semanas, isto se não houver qualquer intercorrência, podendo ficar até 6 semanas.
• Nos primeiros 3 a 5 dias o atleta / desportista deve ficar em repouso, devendo se utilizar de medicamentos Antiinflamatórios e relaxantes musculares, bem como, recursos da eletrotermofoterapia para diminuir o quadro álgico que incluem: TENS, ultra-som no modo pulsátil, gelo (em alguns casos calor).
• Após esta fase inicial do tratamento de controle da dor aguda, pode-se realizar exercícios suaves de alongamentos para região lombar, isquiotibiais(posteriores da coxa) e piriforme. Aumentar progressivamente a intensidade dos exercícios de alongamentos.
• Posteriormente, em fase crônica da lesão, como coadjuvante, cabe o uso do ultra-som no modo contínuo, bem como, Ondas-curtas.
• Trabalho de fortalecimento muscular para: paravertebrais, isquiotibiais, panturrilha e fibulares.
• Dentre as técnicas da terapia manual em que se observa resultado satisfatório, destaco: a mobilização neural.
• Exercícios de Mulligan e Maittland parecem apresentar resultados satisfatórios também.
• Importante lembrar que o trabalho de fortalecimento muscular pode ser realizado dentro da piscina, o que certamente produz resultados extremamente favoráveis.
• O trabalho proprioceptivo é fundamental para readquirir equilíbrio sensório-motor e perceptivo motor.
• Considerar também, que é indicado o RPG(Reeducação Postural Global), observando apenas a fase da lesão.
• A acupuntura é uma técnica que parece ter mostrado eficácia no conjunto do tratamento.
• Lembrar que as técnicas se somam; nenhuma se sobrepõe à outra, deve-se apenas respeitar a fase da lesão.
• Se não houver regressão dos sintomas e a dor ciática for proveniente de uma hérnia discal avançada, o médico poderá considerar a possibilidade de intervenção cirúrgica. Deixo claro, porém, que esta alternativa tem sido cada vez mais rara entre atletas e desportistas em geral, fazendo sempre a opção pelo tratamento conservador, que em geral produz inúmeros benefícios ao paciente.
RETORNO PARA AS ATIVIDADES DESPORTIVAS.
Deverá ser capaz o atleta / desportista, de realizar atividades que envolvam, corrida e mudança de direção, sem apresentar dor ou qualquer sintoma neurológico. Assim, então, poderá retornar com segurança às atividades físicas e desportivas sem comprometer a eficiência do movimento.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
• CYRIAX, J.H e CYRIAX, P.J. Manual de Medicina Ortopédica de Cyriax. 2ª ed. São Paulo, Manole, 2001.
• GABRIEL, M.R.S. PETIT, J.D. e CARRIL, M.L.S Fisioterapia em Traumatologia Ortopedia e Reumatologia. Rio de Janeiro. Revinter, 2001.
• HAAL, C. M. e BRODY, L. T. Exercício Terapêutico na Busca da Função. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2001.
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